Você já sabia, querer ir fundo foi uma opção sua. Eu não tenho nada a ver com seus sentimentos. Frio? Não, apenas tenho que te dar a real.
Eu não sou daqueles que se apaixona, é muito raro. O que eu quero mesmo é curtir. Sou devoto da paixão. Tudo pra mim é novo, é real, é quente. E eu só quero aproveitar, só quero saber que beijei quem eu quis, menina, menino… Enfim, eu quis, me quis, to querendo, tô me querendo. Não adianta agora se fazer de criança. Você já sabia.
Sou do vento, de quem me quiser. E eu sei, meu beijo, ninguém esquece.
“Era uma bela manhã de domingo. O sol brilhava forte lá fora, intenso, uma luz radiante que me fez ficar pronto em minutos, te chamei, você aceitou, fomos à piscina. Você, naquele dia tava mais quente que nunca, porque aquele biquininho, ah, aquele biquininho…
Enfim. Fomos à piscina, você na minha, eu na sua, há tempos que vínhamos nos olhando de outras formas, outros jeitos, eram mais abraços, mais olhares.
Assim que desci do elevador dei logo o mergulho. A água bem limpa, fria por causa da sombra que fazia o primeiro andar daquele prédio, que havíamos admirado noite passada, e aquilo - o calor - me fazia bem, há dias o tempo estava abafado, úmido e o calor só aumentava, e você insistia naqueles biquininhos.
Quase que como uma “lady” você entrou calmamente na água, e eu vi todo o seu corpo arrepiar-se, baixei mais ainda o olhar e a água bateu nos seus seios. E que seios. Como que para tomar coragem, riu, bem de leve pra mim e mergulhou, eu apenas observei, todo o seu corpo indo contra a água. Você levantou, preocupou-se com o cabelo e saiu da água. Mais um sorriso. Como que sobressalto eu disse que você havia estado linda. Mais um sorriso.
Conversamos por minutos, eu ali, a observando brincar com a água, jogando água em mim, jogando charme em mim. Eu estava adorando aquilo. Resolvi mergulhar, e quando saí da água prendi você em um abraço e você riu, se apertando contra mim.
Mais conversa, agora mais perto. Não resisti, imprensei você na borda da piscina. Você não disse nada, nem eu. Riu e eu interrompi o sorriso com minha aproximação.
Você abriu levemente a boca, não quis apressar nada, beijei um lábio, depois o outro e o puxei. Mais um risinho seu, aos poucos encaixei minha boca na sua e nossas línguas redescobriram novos sabores.
Suas mãos puxavam meu cabelo. Minhas mãos estavam na sua cintura. Nossos corpos se apertaram, e ali nos beijamos, apenas um beijo.
E tantos outros beijos, calorosos, excitantes e queridos nos demos naquela manhã. Na piscina, no pier, na mesinha, no elevador, na porta do apartamento. Tivemos que parar. Aquilo não deveria mais acontecer. No mesmo dia fui embora e você foi mais tarde. Passamos a conversar apenas por telefone e você dizia querer algo mais, quem sabe um namoro. Prometeu até entregar-se a mim. Acho que não.
Não quis.
Você disse que eu acabei com o seu coração.
Eu disse não querer nada sério.
Você disse que eu a iludi.
Eu disse que nunca a tinha prometido nada.
E agora você segue, com seu coração quebrado e eu com minha devoção à paixão. Te querer? Talvez sim, talvez hoje, talvez quando eu quiser.”